Tô sumida porque esse último mês foi uma barra. Problema e tristeza atrás de problema e tristeza. Minha carteira foi roubada e sou agora vítima de identity theft, uso indevido da minha identidade e meu número de seguro social. Os bandidos sairam abrindo contas e cartões de crédito em meu nome a torto e a direito. Not fun.
Esse é o crime que mais cresce nos Estados Unidos, talvez no mundo. Estou de fato lidando bem com a sombra do capitalismo selvagem, a facilidade de abrir linhas de crédito que facilita a vida do consumidor, mas também dos criminosos.
Paciência. Tenho dois boletins de ocorrência na polícia, estou apagando os incêndios conforme eles aparecem, e espero que daqui a pouco a página vire e isso fique meramente na minha memória.
No momento, no entanto, o baque, o sentimento de violação, o horror de não saber onde vão atacar no momento seguinte, somados a outras questões, ficaram pesados demais para o meu sistema emocional e eu estava vivendo numa paranóia constante e insalubre.
Para me ajudar, hoje conto com a magia da farmacopéia laboratorial em forma de uma pílula diária que tem feito toda a diferença entre o meu absoluto desespero e a recuperação da minha confiança para me defender legalmente. Valeu Lexa.pro!!!
Espero, é claro, que esse auxílio químico seja apenas circunstancial. Mas vamos lá.
Tenho também alegrias, ufa!!! Semana que vem vamos fazer três apresentações de um show de Halloween que venho preparando com meu grupo de performance TerraMysterium.
Estou super feliz com o trabalho e a interação com os colegas. O show é absolutamente original e eu sou do time de escritores!! Isso me traz imensa satisfação.
A personagem que eu faço é uma bruxa italiana Gioconda Strega, especialista em criaturas mágicas e formas-pensamento. Ela é uma comédia. Amei escrever a Gioconda, e amo fazer ela. Ainda fico adicionando milhares de cacos a cada ensaio e faço meus colegas rolarem de tanto rir.
Eu que não me sabia tão palhaça, devo à Gioconda essa permissão para eu soltar a franga com o besteirol geral. Evoé!
Aqui vai o vídeo promocional com ela:
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
um simpósio hilário sobre ocultismo

Está decidido nosso tema, título e várias partes do novo espetáculo do TerraMyterium. Estou animadésima. Fizemos auditions com várias pessoas esse sábado passado e temos novos integrantes na trupe para preparar esse Halloween, inclusive o maridão Rodrigo foi cooptado para o projeto.
O professor Marius Mandragore vai oferecer um salão-simpósio sobre feitiços, espíritos e outras artes remotas. Mais uma vez vamos misturar teatro com música e artes circenses pra dar a vida ao tema. Ele começa com um pouco de história da bruxaria, recebe professores convidados de outros países para debater temas como criaturas mágicas e exorcismos, há os desastres criados pelos aprendizes do professor e, no final, além de uma sessão mediúnica, o público vai participar da criação de uma magia ali na hora, com direito a caldeirão e tudo.

Antes disso, porém, nesse próximo fim de semana vamos fazer dois pocket shows só de músicas num evento de Dia do Orgulho Pagão. Aliás, preciso ainda fazer meus exercícios vocais de hoje... Me sindo super insegura cantando em público, tudo muito novo pra mim.
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terramysterium
sábado, 29 de agosto de 2009
miséria criativa
A questão econômica aqui segue feia. Feia mesmo. Tem cada vez mais mendigos e mais pedintes em todos os lugares. Muitos, bem no centro de Chicago, esfregando na cara de quem vive ou visita a WindyCity que a prosperidade perdeu seu lugar no cartão postal.
Num congresso internacional de astrologia que participei recentemente, a discussão é a mesma. Os mesmos astrólogos que previram o desmoronamento econômico de 2008, estão dizendo que apesar da aparente melhora nos índices, há uma outra queda se armando e que a crise está mais para um "W" do que um "V"ou"U".
No entanto a problemática da falta de emprego e grana está estimulando a criatividade de quem pede nas esquinas.
Ano passado, sob um viaduto de muito movimento, um barraco armado com carrinhos de supermercado e papelão, com ótima visibilidade para quem por ali passava, estampava em uma de suas "paredes" um pensamento religioso, e na outra oferecia o espaço: 'Seu anúncio aqui!'
E ontem, em frente à Macy's, um cara que não tinha mais que trinta anos, até boa pinta, tinha uma mão estendida com uma caneca pedindo moedas e, na outra, ostentava a seguinte mensagem escrita à mão num papelão de mais ou menos um metro: " Girlfriend was kidnapped by ninjas. Need money for ransom and kung-fu lessons".
(namorada sequestrada por ninjas. preciso de dinheiro para o resgate e lições de kung-fu)
Num congresso internacional de astrologia que participei recentemente, a discussão é a mesma. Os mesmos astrólogos que previram o desmoronamento econômico de 2008, estão dizendo que apesar da aparente melhora nos índices, há uma outra queda se armando e que a crise está mais para um "W" do que um "V"ou"U".
No entanto a problemática da falta de emprego e grana está estimulando a criatividade de quem pede nas esquinas.
Ano passado, sob um viaduto de muito movimento, um barraco armado com carrinhos de supermercado e papelão, com ótima visibilidade para quem por ali passava, estampava em uma de suas "paredes" um pensamento religioso, e na outra oferecia o espaço: 'Seu anúncio aqui!'
E ontem, em frente à Macy's, um cara que não tinha mais que trinta anos, até boa pinta, tinha uma mão estendida com uma caneca pedindo moedas e, na outra, ostentava a seguinte mensagem escrita à mão num papelão de mais ou menos um metro: " Girlfriend was kidnapped by ninjas. Need money for ransom and kung-fu lessons".
(namorada sequestrada por ninjas. preciso de dinheiro para o resgate e lições de kung-fu)
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Agosto
Tenho andado calada, eu sei.
Fim de verão, vida pessoal corrida
cheia de acontecimentos
cheia de preparativos
que não posso, não devo
não é bom falar
antes que aconteçam.
Cruzo os dedos em antecipação. Rezo, peço, imploro.
Será que os deuses dessa vez olham pra mim com a confiança de que estou pronta pro meu desejo?
Das artes:
Tenho escrito pouco. Minha peça anda pendurada e trabalho na corrida antes de ir pro meu playlab. Minha indisciplina está roubando o melhor de mim. Merda isso. Quero terminar essa comédia de erros que estou fazendo antes de Outubro. Está na hora. De tirar essa história de mim, parí-la, para poder gestar outras e mais outras que também querem a sua chance de ir pro papel.
Estou preparando um espetáculo com o TerraMysterium, meu grupo de performances. Uma homenagem à estação escura, Halloween, Samhain, Dia de los Muertos. Vamos falar da morte e do medo. Vamos fazer auditions dia 29 com já quase todos os horários cheios de atores, músicos, cantores, acrobatas, mágicos, bailarinos...
Vai ser ótimo, estar do outro lado e ver as pessoas se esforçando, em cinco minutos pra mostrar seu talento. Cinco minutos tão injustos.
Estou num filme, Parallel Universe. Vou fazer uma stripper que não tira a roupa. Ela tem problemas sérios com a bebida e está no consultório de um psiquiatra. Estou animada pra esse papel. Acho que eu tenho uma desculpa legítima para fazer uma saída a campo em nome da pesquisa necessária para a personagem! ;)
Começo a filmar em Setembro.
Além disso, também preparo um ritual que eu mais duas amigas vamos coordenar para um evento do festival da colheita em fim de setembro - uma combinação de colheita com o equilíbrio da luz no equinócio.
Estamos criando, tecendo, escrevendo. E eu vou também costurar. Inventei de criar corações de feltro, anatomicamente corretos para distribuir para cada participante. Eu sou uma doida de me meter a fazer isso, mas os corações estão ficando lindos! Como eu poderia deixar de fazer corações humanos feito almofadinha? Com suas válvulas aparentes? Tão melhores que os chatos corações dos milhões de "I love yous", os com flechas riscados nas árvores e típicos dos "dias dos namorados" across the globe.
Coisas pagãs que eu amo, e uma bela oportunidade de currículo bruxístico por ser um ritual grande numa organização respeitada.
Pra mim um ritual é como uma instalação. Eu sempre amei instalações artísticas, pois somos envolvidos pela obra com todos os nossos sentidos, transportados dali, pelo artista, a uma outra realidade. Ditto para um bom ritual.
Minha antiga priestess dizia que um bom ritual é igual bom sexo. Concordo.
Sempre acontece isso. Eu sinto como se minha vida estivesse quase parada. Aí começo a colocar no papel o que ando fazendo e a lista me surpreende com seu tamanho.
Ai, ai... nossas eternas inquietudes humanas e a fragilidade do vício mutante do geminiano.
Fim de verão, vida pessoal corrida
cheia de acontecimentos
cheia de preparativos
que não posso, não devo
não é bom falar
antes que aconteçam.
Cruzo os dedos em antecipação. Rezo, peço, imploro.
Será que os deuses dessa vez olham pra mim com a confiança de que estou pronta pro meu desejo?
Das artes:
Tenho escrito pouco. Minha peça anda pendurada e trabalho na corrida antes de ir pro meu playlab. Minha indisciplina está roubando o melhor de mim. Merda isso. Quero terminar essa comédia de erros que estou fazendo antes de Outubro. Está na hora. De tirar essa história de mim, parí-la, para poder gestar outras e mais outras que também querem a sua chance de ir pro papel.
Estou preparando um espetáculo com o TerraMysterium, meu grupo de performances. Uma homenagem à estação escura, Halloween, Samhain, Dia de los Muertos. Vamos falar da morte e do medo. Vamos fazer auditions dia 29 com já quase todos os horários cheios de atores, músicos, cantores, acrobatas, mágicos, bailarinos...
Vai ser ótimo, estar do outro lado e ver as pessoas se esforçando, em cinco minutos pra mostrar seu talento. Cinco minutos tão injustos.
Estou num filme, Parallel Universe. Vou fazer uma stripper que não tira a roupa. Ela tem problemas sérios com a bebida e está no consultório de um psiquiatra. Estou animada pra esse papel. Acho que eu tenho uma desculpa legítima para fazer uma saída a campo em nome da pesquisa necessária para a personagem! ;)
Começo a filmar em Setembro.
Além disso, também preparo um ritual que eu mais duas amigas vamos coordenar para um evento do festival da colheita em fim de setembro - uma combinação de colheita com o equilíbrio da luz no equinócio.
Estamos criando, tecendo, escrevendo. E eu vou também costurar. Inventei de criar corações de feltro, anatomicamente corretos para distribuir para cada participante. Eu sou uma doida de me meter a fazer isso, mas os corações estão ficando lindos! Como eu poderia deixar de fazer corações humanos feito almofadinha? Com suas válvulas aparentes? Tão melhores que os chatos corações dos milhões de "I love yous", os com flechas riscados nas árvores e típicos dos "dias dos namorados" across the globe.
Coisas pagãs que eu amo, e uma bela oportunidade de currículo bruxístico por ser um ritual grande numa organização respeitada.
Pra mim um ritual é como uma instalação. Eu sempre amei instalações artísticas, pois somos envolvidos pela obra com todos os nossos sentidos, transportados dali, pelo artista, a uma outra realidade. Ditto para um bom ritual.
Minha antiga priestess dizia que um bom ritual é igual bom sexo. Concordo.
Sempre acontece isso. Eu sinto como se minha vida estivesse quase parada. Aí começo a colocar no papel o que ando fazendo e a lista me surpreende com seu tamanho.
Ai, ai... nossas eternas inquietudes humanas e a fragilidade do vício mutante do geminiano.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
mais fotos de Toymaker's War
Sylvie (Andrea Morales), sente a culpa pela morte e estupro da pequena Lejla numa vila só com crianças perto de Sarajevo. Eu, a velha, deusa da morte, carrego a pequena embora.
O jovem jornalista Peter (Greg Poljacik) confronta Sylvie por ter contado apenas parte da história.
Milan (Jesse Menendez) ensina Sylvie a brincar com Lejla sua irmã para distraí-la dos horrores da guerra.
A velha bruxa (moi!) leva Sylvie a reviver e redimir seu passado.Detalhe, não saíram críticas desse espetáculo porque ele foi apresentado como "ainda em desenvolvimento". Foi a primeira vez que foi montado, mas a autora está ainda mexendo no texto. Ela espera que um teatro maior compre os direitos e o privilégio de anunciar Toymaker's como "estréia mundial", ou world premiere.
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amor ao teatro
sábado, 18 de julho de 2009
A guerra do fazedor de brinquedos
Essa semana encerrou a temporada de "Toymaker's War" dentro do Alcyone Festival. Foi bem bacana a experiência de fazer um espetáculo com texto mais pesado, tocante, e meu trabalho foi muito elogiado.
Em segundos, eu saía do meu jeito bubbly de ser, com a vitalidade dos meus trinta e poucos, e me transformava em um ser mitológico, de idade avançada, lembrando em muito o arquétipo da feiticeira que mora nas profundezas da floresta. Por meu papel ser apenas físico, eu estava sempre tranquila antes das apresentações. Um contraste agradável para o meu tradicional alterado estado de nervos antes de qualquer performance.
A história se passa entre Bósnia em 1995 e Canadá nos dias atuais, quando uma jornalista tem que revisitar seu passado cobrindo a guerra da Bósnia, quatorze anos atrás, e redimir suas escolhas, feitas quando era apenas uma repórter iniciante. E, não, eu não era a jornalista. Sequer fiz teste para o espetáculo. Fui chamada pelo diretor pra fazer o papel de Stara Zena - uma espécie de anjo da morte, deusa do além que aparece para as pessoas que estão prestes a morrer ou que precisam transformar profundamente partes de si mesmas.
Para o movimento dela, eu treinei com uma coreógrafa, e como parte do figurino, usava uma máscara, bastante horripilante.

Eu basicamente contracenava com a jornalista (como na foto aí ao lado), mas no cast tinha uma menina muito fofa de dez anos, Julia, que era a nossa mascote. Julia fazia Lejla, que me via como Stara Zena.
Quando eu punha a máscara, eu e Julia brincávamos de filme de terror no backstage. Em cena, eu a levava morta, como uma avó que guia sua neta mais querida.
Todos os atores estavam cientes de que precisavam desviar de mim nas entradas e saídas de palco em lugares estreitos, pois eu via muito mal com a máscara e morria de medo de tropeçar e causar algum desastre cênico. Na nossa última apresentação, após eu desejar break a leg pra Julinha, ela virou-se, pegou minha mão e disse: "Pra você também. E muito cuidado andando por aí com a máscara, não quero que você se machuque". !!!!
Foi a coisa mais adorável que eu poderia ter ouvido naquele momento. Me senti totalmente Stara Zena: poderosa, porém fisicamente frágil; uma vovó, recebendo cuidados e atenção da sua netinha.
Perfeito!
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amor ao teatro
quinta-feira, 2 de julho de 2009
mulheres e dramaturgia
Essa semana foi dominada por discussões nas várias mídias sobre feminismo e o teatro. Tudo porque a estudante de pós-graduação Emily Glassberg Sands publicou um estudo sugerindo que mulheres dramaturgas são sistematicamente discriminadas - especialmente, por outras mulheres.
A notícia causou polêmica e os mais diversos blogs e colegas do meio não cansam de falar do tema. Achei que também tinha chegado a minha vez.
Acho bom que isso esteja sendo discutido, porque me afeta. Ainda mais agora que recém estou começando a me lançar no grande barato que é escrever uma peça.
Mais do que isso, recentemente tenho trabalhado com textos fantásticos e intrigantes escritos justamente por mulheres.
O Halcyon Theatre de Chicago todos os anos monta textos exclusivamente escritos por mulheres dentro de um festival de verão que chamaram Alcyone. Tony Adams, diretor da companhia é o criador dessa idéia.
No blog dele, Tony sugere algumas forma de aumentar o número de peças (hoje apenas 20% do total) produzidas que sejam de autoria feminina : "Lermos mais peças ótimas de mulheres; produzirmos mais peças ótimas de mulheres, assistirmos mais peças ótimas de mulheres; ou pelo menos comentar com outras pessoas sobre uma nova autora que você acabou de descobrir e que adorou. "
Claro, ele pode fazer as quatro coisas, mas com certeza cabe a nós ao menos espalhar no boca a boca os elogios que tivermos sobre os trabalhos de autoria feminina.
E não é por ser de autoria feminina que uma peça automaticamente se resume a tratar de temas domésticos ou de sexualidade.
A peça que participo no festival Alcyone, de autoria da canadense Jennifer Fawcett chama-se "A guerra do fazedor de brinquedos", cujo tema é a guerra da Bósnia de 1995 e a ética jornalística.
Dentro do playlab que estou fazendo com o Teatro Luna, somos apenas mulheres, todas talentosas e cada uma trazendo para a mesa sua própria voz, autêntica, verdadeira.
O Teatro Luna também está agora fazendo uma série de leituras dramáticas. Uma vez por mês, às segundas, tem Lunadas, sempre apresentando um texto de autoria feminina.
Nessa última, eu fui convidada a participar e adorei trabalhar com essa companhia. Sempre tinha sido um desejo meu, e agora sinto que isso está acontecendo através do playlab e dessa Lunadas.
O texto era "Catalina de Erauso", texto de Elaine Romero. Elaine é uma dramaturga estabelecida, mas esse texto é novo. Ela veio a Chicago especialmente para acompanhar, e ainda mexeu, reescreveu entre um ensaio e outro. O texto é ótimo e a leitura foi divertidíssima.
Taí, tô fazendo a minha parte: Elaine Romero. Uma dramaturga que acabei de descobrir e que vale super, super a pena.
A notícia causou polêmica e os mais diversos blogs e colegas do meio não cansam de falar do tema. Achei que também tinha chegado a minha vez.
Acho bom que isso esteja sendo discutido, porque me afeta. Ainda mais agora que recém estou começando a me lançar no grande barato que é escrever uma peça.
Mais do que isso, recentemente tenho trabalhado com textos fantásticos e intrigantes escritos justamente por mulheres.
O Halcyon Theatre de Chicago todos os anos monta textos exclusivamente escritos por mulheres dentro de um festival de verão que chamaram Alcyone. Tony Adams, diretor da companhia é o criador dessa idéia.
No blog dele, Tony sugere algumas forma de aumentar o número de peças (hoje apenas 20% do total) produzidas que sejam de autoria feminina : "Lermos mais peças ótimas de mulheres; produzirmos mais peças ótimas de mulheres, assistirmos mais peças ótimas de mulheres; ou pelo menos comentar com outras pessoas sobre uma nova autora que você acabou de descobrir e que adorou. "
Claro, ele pode fazer as quatro coisas, mas com certeza cabe a nós ao menos espalhar no boca a boca os elogios que tivermos sobre os trabalhos de autoria feminina.
E não é por ser de autoria feminina que uma peça automaticamente se resume a tratar de temas domésticos ou de sexualidade.
A peça que participo no festival Alcyone, de autoria da canadense Jennifer Fawcett chama-se "A guerra do fazedor de brinquedos", cujo tema é a guerra da Bósnia de 1995 e a ética jornalística.
Dentro do playlab que estou fazendo com o Teatro Luna, somos apenas mulheres, todas talentosas e cada uma trazendo para a mesa sua própria voz, autêntica, verdadeira.
O Teatro Luna também está agora fazendo uma série de leituras dramáticas. Uma vez por mês, às segundas, tem Lunadas, sempre apresentando um texto de autoria feminina.
Nessa última, eu fui convidada a participar e adorei trabalhar com essa companhia. Sempre tinha sido um desejo meu, e agora sinto que isso está acontecendo através do playlab e dessa Lunadas.
O texto era "Catalina de Erauso", texto de Elaine Romero. Elaine é uma dramaturga estabelecida, mas esse texto é novo. Ela veio a Chicago especialmente para acompanhar, e ainda mexeu, reescreveu entre um ensaio e outro. O texto é ótimo e a leitura foi divertidíssima.
Taí, tô fazendo a minha parte: Elaine Romero. Uma dramaturga que acabei de descobrir e que vale super, super a pena.
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Teatro Luna
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